06 novembro 2015

Somos obrigados a perder

É. Infelizmente a perda existe e se não chegou até você, prepare-se: ela vai chegar. Terça-feira, dia 3, perdi um avô que não era simplesmente um avô. Era meu pai. Ele permitiu que eu morasse com ele para estudar, me dava de tudo, ajudava, me deu a CNH e foi comigo na prova. Era um puta homem, de bem com a vida, feliz. E perdi ele na minha frente, na mesa, almoçando. Não sei se é melhor a pessoa ficar doente e falecer no hospital ou falecer assim em casa. Para ele foi ótimo, mas para nós que ficamos foi a coisa mais traumatizante e assustadora do mundo! Vê-lo desmaiar e morrer em questão de segundos foi a pior dor que eu poderia sentir... e grávida ainda.

Após uma hora e meio de reanimação, eis que dão a notícia que eu já sabia desde quando o socorri: ele faleceu. Fiquei anestesiada, em transe... sem saber o que pensar, o que sentir. Apenas pensei: que bom que foi assim! Ele merece. Morreu subitamente, tranquilo, sem sofrimento, feliz. Hoje descobrimos que ele teve um aneurisma abdominal (rompimento da artéria aorta na região abdominal). Eu já sabia. Só sentiu uma dor forte na barriga e caiu. Muito sangue escorreu pela sua barriga, o deixando em choque hipovolêmico e o levando, em questão de segundos, à morte.

Deus é maravilhoso. Como ele abençoou meu avô o levando dessa forma tão linda, como se fosse um passarinho! Que Deus continue o guiando e que nos dê forças para vencer essa nova etapa de nossas vidas sem essa pessoa que tanto amamos, que tanto precisávamos. Que ele encontre seu caminho, sua luz, e que quando for a minha vez possamos nos reencontrar nos vales da vida eterna. Lhe darei um abraço, agradecerei por tudo que fez por mim em vida e poderemos conversar, matar a saudade. Obrigada, vô. Você foi uma pessoa maravilhosa em minha vida, me acolheu e me aceitou como sempre fui. Um dia iremos nos reencontrar, e eu mal posso esperar...

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